Manoel de Nóbrega - Meu sonho não tem fim

Manoel de Nóbrega

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Manoel de Nóbrega nasceu em Niterói, Rio de Janeiro, em 18 de fevereiro de 1913.

 

Estudava economia quando resolveu começar sua carreira artística no rádio, em 1931, ainda no Rio de Janeiro. No início da década de 1940, mudou-se para São Paulo, onde trabalhou em emissoras como Cultura, Nacional, Tupi e Piratininga, consolidando sua carreira como um dos maiores comunicadores do rádio brasileiro.

 

Sua importância para o humor de rádio (e posteriormente de TV) foi muito grande, criando programas como “Cadeira de Barbeiro”, “Programa Manoel de Nóbrega” e “A Praça da Alegria”. Pelo banquinho da “A Praça da Alegria” passaram mais de duzentos personagens e os maiores humoristas brasileiros, interpretando textos e personagens cuja maioria fora criada por ele próprio, que se inspirava em tipos reais presentes nas praças de todo o país nos anos 50 e 60.

 

No entanto, mais importante que sua carreira no rádio e TV, eram sua ética, amabilidade e preocupação com os mais humildes. Muitas vezes, utilizou seu poder como comunicador na defesa dos pequenos, esquecidos e daqueles que mais sofriam. Histórias como sobre a doação em segredo das pernas mecânicas para um garoto de Santo André e a sociedade com um pequeno engraxate do centro de São Paulo eram comuns em seu dia a dia, mas poucas vezes vinham a público, devido a sua aversão a divulgar todo o bem que fazia. Certa vez, ao ser questionado sobre esta característica, ele disse que não queria ser o defunto mais rico da quadra do cemitério, isso não o interessava.

 

Devido a esta inquietação com as mazelas sociais, enveredou pelos caminhos da política e em 1946 foi eleito deputado estadual em São Paulo, sendo o deputado estadual mais votado do Brasil com mais de 38 mil votos. No entanto, avesso a qualquer tipo de barganha ou propina, Manoel de Nóbrega rompeu com o partido que o elegera e enfraqueceu como deputado, sendo considerado pela maioria da população como “traidor” e “aproveitador”, quando na verdade, passou sérias dificuldades financeiras no período por não aceitar benefícios ou propinas e ter abdicado durante todo o período de seu mandato a sua maior fonte de renda: sua atuação como maior comunicador do rádio em São Paulo.

 

Uma história que ilustra bem seu caráter, ética e honradez ocorreu alguns anos após a sua decepção com a política, quando seu filho, Carlos Alberto de Nóbrega, redator de seu programa de rádio, fez uma piada em cima de um deputado muito famoso na época e seu pai – mesmo já tendo passado por tantas injustiças na política – disse-lhe: - Não faça isso meu filho. Este homem realmente não vale nada, é um safado, mas ele tem filhos. Os filhos não têm culpa dos erros do pai e emendou com uma frase que sempre mencionamos em nosso trabalho na ONG em que ele dizia: “o tempo que você levar para falar mal de alguém, use-o para falar bem de quem merece”.

 

Manoel de Nóbrega faleceu em São Paulo, no dia 17 de março de 1976, aos 63 anos de idade.

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